Explicando o Universo aos yronianos
Alex e Velma, agora faziam
parte daquele grupo de “alunos”, mas no fundo sabiam da importância que tiveram
para que tais acontecimentos viessem à tona e tudo que mais queriam, era o
retorno de seus amigos ao seio do seu convívio.
Prosseguindo, Isabele explica
que Yron não é o único Planeta habitado na vastidão do Universo:
- O Universo é repleto de vida
e muitos Planetas similares ao vosso se escondem na escuridão do desconhecimento.
A jornada para obtenção do conhecimento é longa e não raro muito sofrida, mas
quando conseguido se apressa e avoluma-se, mostrando novos horizontes, novas
certezas e infinitas possibilidades.
Em meio a breve pausa de seu
pronunciamento, um ancião pergunta:
- De que conhecimento está
falando?
- Refiro-me ao aprendizado, a
sabedoria e a compreensão. Entender que por maior que seja a crença numa divindade,
nada se consegue sem esforço próprio e uma vida apenas não basta para se
atingir um nível significativo na obtenção destes quesitos. Os avanços são
morosos e muitas vezes dados como intangíveis, mas com paciência e perseverança
conseguidos. A perfeição é nossa meta e devemos lutar por ela, mas não sem
antes compreender que temos nossas limitações e por isso aceitá-las, mas usando
a sabedoria, retocando-as para que trabalhem em nosso favor.
- Como nossas limitações podem
ser vencidas por esta suposta sabedoria?
- Usando ferramentas, não podes
pregar uma tábua sem um martelo! – A necessidade contribui para com o avanço.
- Mas Pory nos presenteou com
Yron e aqui temos fartura, o que ganharemos adquirindo sabedoria?
- Precisais avançar, pois teus
filhos morrem precocemente e a evolução do Planeta seriamente comprometida.
- Rogamos a Pory e entregamos
em suas mãos o destino de nossos filhos, quando somos atendidos, agradecemos
pelos milagres e quando não, nos consolamos com a partida, pois sabemos que
nossos filhos estarão sob a proteção de Pory.
- Aceitas, mas sofres por que
nada podes fazer. Podemos lhes auxiliar ensinando-lhes a erradicar algumas
moléstias, mas para tanto, precisaremos que compreendam que não somos Deuses,
mas seres dispostos em vos ajudar e que assim como vocês, apesar de mais
evoluídos, também temos nossas limitações.
- Diga-nos mais sobre esta evolução,
como adquiriram poderes?
- Esta era a pergunta que mais
esperávamos e se tiverdes paciência muito poderemos esclarecer.
Devem estar cientes que não é
colocando todas as vossas expectativas em Pory, que conseguireis alcançar algum
tipo de supremacia, pois que o livre arbítrio vos foi concedido com a clara
intenção de discernimento para atingirdes e galgardes postos mais avançados na
senda a que me refiro.
Pory é o Deus regente de Yron,
assim como outros Planetas possuem Deuses regentes em estado evolutivo
equitativo a Pory.
Entendam, Pory é o Deus de
Yron, mas não é o Deus de onde viemos, mas isto não lhe tira os méritos que
tem, portanto é o Deus regente, governador deste Planeta.
O Grandioso Ser está para os Deuses,
assim como os Deuses estão para nós.
Não temos como medir, avaliar
ou compreender, nem tão pouco inserir palavras que possam expressar a magnitude
do Grandioso Ser, sua obra e muito menos seus desígnios, mas sabemos que, com
esforço, estudo e dedicação, mais próximos dos Deuses, nossos criadores
estaremos.
Isabele é interrompida por uma
pergunta feita por Velma:
- Então, afirmas que devemos
crer em vários Deuses, não seria Pory o Grandioso Ser?
- Não deves acreditar em vários
Deuses, apenas em Pory, teu Deus, mas não é Pory o Grandioso Ser, este não tem
como ser mensurado.
Todos os Deuses estão
qualificados e comprometidos com os desígnios do Grandioso Ser, o verdadeiro
mentor e criador do Universo, magnânimo para os Deuses, assim como Pory e todos
os outros Deuses regentes de cada Planeta habitado, também o é para cada um de
nós.
Neste momento, Gabriel expõe
através da holografia, a imagem dos Planetas Yron, Terra e também dos Sois que
iluminam os respectivos Planetas, lado a lado, com seus tamanhos e medidas de
acordo com o raio equatorial dos mesmos, mostrando que o primeiro tem o dobro
do tamanho do segundo e que em relação aos Astros os Planetas quase
desaparecem. Posteriormente, pede aos presentes que façam uma rápida avaliação e
que mensurem suas próprias dimensões em relação às dimensões dos Planetas e dos
Astros. Todos ficam estarrecidos e de certa forma decepcionados, com o ínfimo e
módico tamanho a que foram reduzidos.
Isabele volta a se pronunciar:
O que acabaram de presenciar é
apenas um pálido reflexo do que temos no Universo, existem Astros de tamanhos
incomensuráveis, que nos submetem ao estado de infinitas frações de um pequeno
grão de areia. Esta realidade nos dá uma pequena prova da extraordinária
magnitude do Grandioso Ser, que tem sob seu comando os Deuses que lhes prestam
serviços, a fim de atender as demandas para o qual foram designados.
A noite já estava alta e
diversas perguntas e questionamentos dos assuntos ali abordados, foram
suspensos com a promessa de um breve retorno pelo casal, para dar sequência ao
árduo trabalho a que se comprometeram. Assim a primeira sessão é dada por
encerrada, com o desaparecimento de Isabele que teve a imagem de seu corpo a
princípio muito reluzente e posteriormente o esmaecimento até sumir.


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