Isabele revoluciona ao falar de
inventos
Machucada,
Isabele volta para Yron e conhecendo-se, tinha plena convicção que poderia dar
continuidade a seu projeto, mesmo que sozinha, por saber que sua determinação
sempre fora a mola propulsora que alavancava suas vontades. Estava muito
chateada, pois o homem em quem confiou para juntos fazerem história havia
desistido, mas que não seria este o motivo que a faria desistir também.
“Magno”
agora seu braço direito, receberia novas programações e mesmo sem poder contar
com ajuda humana, desempenharia funções que antes eram ministradas por Gabriel.
Desde
que voltou, trabalhou incansavelmente na preparação da terceira aparição aos
yronianos. Segundo seus estudos e cálculos, aquele povo estaria apto a receber
informações sobre uma possível revolução industrial, fator que contribuiria na
expansão mais apropriada ao momento de sua história.
A terceira aparição.
No
terceiro dia por volta das 18h, surgiu da mesma maneira que na segunda
aparição, modificando apenas a música de fundo, que foi ouvida e ovacionada na
comunidade.
Diferentemente
das duas primeiras aparições, Isabele desta vez não toca em assuntos religiosos
e se pronuncia falando sobre expansão e inventos que facilitaria a
experimentação e estudos que pudessem culminar na aplicação do desenvolvimento
de novas técnicas de diferentes máquinas e equipamentos, úteis a realização de
significativas transformações em várias áreas.
Classificando
as áreas de Agricultura, Astronomia, Eletricidade, Física, Indústria, Medicina,
Minas, Navegação, Química e Transportes, como sendo as de maior relevância e primordial
para seu desenvolvimento.
Para
cada área deu exemplos de inventos passíveis de serem realizados, tais como:
-
Máquina de semear e máquina a vapor para Agricultura.
-
Luneta astronômica e telescópio de espelhos para Astronomia.
-
Para-raios e eletricidade por meio de fio isolado para Eletricidade.
-
Pêndulo para Física.
-
Máquina de fiar automática, Fundição de Ferro, Tear a vapor para Indústria.
-
Vacinas para Medicina
- Máquinas
a vapor para Minas.
-
Barômetro de mercúrio para Navegação.
-Análise
do ar e da água para Química.
-
Bicicleta para Transporte.
Enquanto
Isabele explicava detalhadamente os possíveis inventos, muitos foram aqueles
que fizeram anotações e perguntas específicas. Certamente de alguns, bons
frutos seriam colhidos.
Despede-se
dando por encerrada aquela reunião, convencida de que havia atingido mais um
objetivo, desaparecendo instantaneamente sem deixar vestígios.
Vale
ressaltar que tais aparições estabeleceram um marco no planeta Yron e a cada
uma delas, maior contingente de yronianos participavam dos eventos, fazendo com
que o Movimento Popular passasse a ser chamado de “Terra das aparições”. Não
obstante, devido à expressiva frequência de yronianos vindos de todas as
partes, aquele lugar tornar-se-ia inviável às reuniões, obrigando Isabele a
providenciar meios que pudessem atender tal demanda.
No dia
seguinte já com seu habitual disfarce, foi até o descampado com a intenção de
averiguar as condições do lugar, para que ali pudesse se tornar o novo lugar
das aparições. Após terminar análises e medições, concluiu ser perfeitamente
acessível a um público de aproximadamente 1 milhão de pessoas. Voltou para “casa
base” e contou os feijões dispositivos remotos de que dispunha. Contou 1.900,
número que atenderia aproximadamente um grupo de 526 pessoas para cada
dispositivo. Colocou-os numa sacola e usando o chip desapareceu indo
diretamente ao ponto mais alto do descampado. Lá chegando, atestou ser uma
pedra inacessível para os que tentassem escalá-la, por ser muito íngreme e
estar cercada por densa vegetação. Era o ponto ideal para suas próximas
aparições. Desapareceu e apareceu no solo, observou que a pedra, tinha
aproximadamente 10m de altura e começou a distribuir estrategicamente os
feijões em pontos furtivos, como pedras e pequenos arbustos por toda região,
que mesmo se utilizando do chip, despendeu praticamente o dia inteiro no árduo
trabalho.
Exausta,
voltou para “casa base”, tomou uma ducha, fez rápida refeição e deixou os
testes para o dia seguinte, indo para a cama repousar. Apesar do cansaço, seus
pensamentos agora estavam com Gabriel, mas sabia que não poderia mais contar
com ele e que tal sentimento teria de ser excluído se quisesse obter êxito.
Ao
despertar, se virou e olhou para o travesseiro a seu lado e antes que os
pensamentos tomassem conta da sua nova realidade, pulou da cama, agora pensando
em tudo que precisava fazer. Depois de um frugal café, iniciou os testes junto
a “Magno”, indo e voltando ao descampado, certificando-se de que tudo estava de
acordo.
Por
volta das 13h, foi ao Movimento Popular e asseverou o que já havia previsto: Um
número sem fim de pessoas que se estabeleciam a espera de uma nova epifania.
Mais uma vez se infiltra entre alguns grupos e tem a satisfação de ouvir
discussões a respeito dos inventos e os assuntos abordados na noite anterior.
Ficou surpresa ao notar que em nenhuma conversa o nome de Pory tenha sido mencionado,
fato este que lhe serviu de embasamento para a próxima aparição.
Comprou
o jornal “A Informação” e outra perplexidade: Os papiros agora eram amarrados e
o jornal circulava em folhas e não mais enrolados como de início. Contou doze
páginas, onde todo conteúdo se baseava no detalhamento dos inventos que havia
explanado. Orgulhosa dos irmãos fez comunicação telepática com ambos, elogiando-os
pelos serviços prestados.
Obviamente,
Alex e Velma agradeceram e perguntaram quando o casal voltaria a reencontrá-los,
mas Isabele limitou-se respondendo somente que voltaria assim que concluísse alguns
objetivos e saiu da sintonia.
Retornou
a “casa base” e preparou sua última palestra no Movimento Popular para aquele
mesmo dia, como de costume sempre ao anoitecer.
As 18h
mais uma bela melodia estaria sendo entoada, o que revelava o presságio de
outra aparição. Após o costumeiro alvoroço seguido de profundo silêncio,
Isabele se materializa desta vez como ondas sonoras projetadas por feixes de
laser que circundavam seu corpo em tons de verdes e azuis ultraclaro, causando
espanto e admiração aos presentes. Isabele hoje trajava uma túnica branca com
detalhes florais dourados que reluziam quando atingidos pelos feixes
projetados.
- Povo
de Yron! – Para aqueles que ainda não me conhecem, me chamo Isabele e devo
informar que meu companheiro foi designado a outro projeto, restando para mim à
incumbência em lhes transmitir esta reunião doravante sozinha.
Estou
muito feliz em ter constatado que entenderam e aprovaram tudo que foi abordado
na noite anterior. Destaco o jornal “A Informação”, que detalhou os pormenores
das invenções que certamente vos elevarão a outros patamares.
- Como
sabes que aprovamos e também o que foi escrito no jornal? – É por não
compreender estes poderes que te endeusamos.
- Esta
é uma prova que não sou deusa, pois estou entre vós.
-
Fale-nos de seus poderes.
- Já
lhes falei de onde vim, quem sou e qual meu objetivo em Yron, de certo aqueles
que não estiveram presentes nas outras palestras, querem ouvi-las da minha
própria boca, mas sei que muitos compreenderam e podem transmitir a mensagem,
de outra forma estas reuniões seriam cansativas e redundantes.
Faço
aparições espetaculares, por assim entender que estes objetivos serão
alcançados mais rapidamente. Se me apresentasse de maneira comum, hoje a
maioria não estaria aqui presente.
Aproveito
para lhes informar, que devido ao crescente número do contingente de
participantes, minhas aparições passarão a acontecer no descampado, vos dando
assim melhor visibilidade e também acomodação, portanto, a partir da próxima
aparição em diante dirijam-se para lá.
Centenas
de perguntas foram feitas e pacientemente, Isabele as respondia uma a uma esclarecendo
dúvidas, dirimindo equívocos, conquistando e fazendo com que compreendessem os
verdadeiros motivos de sua estada em Yron.
Até que
uma pergunta lhe chamou a atenção:
- Se
não és uma deusa, como podemos crer que nos conduza ao caminho certo?
- Não posso
intervir sobre o certo ou errado, mas vos conduzir por caminhos já trilhados,
vivenciados e conclusivos, adiantando-lhes por experiência, encurtando desta
forma, a trilha que deveis seguir.
- E se
não estiverem de acordo com os desígnios de Pory?
- Caberá
a vós o recurso do livre arbítrio.
Vossas
escrituras relatam acontecimentos em tempos remotos, idos de um povo não mais
presente nos dias atuais, portanto passíveis de transcrições obliteradas ou
alteradas.
Isabele
aos poucos, tentava mostrar aquela gente simples, que acreditar em tudo que
fora passado sem questionamentos, dava-lhe margem a atribuição de hipóteses
além da compreensão que tinham e dessa forma prossegue:
Como
ireis explicar minhas aparições a seus filhos? – Dependendo da forma como estejam
interpretando, poderão eles entender equivocadamente o que hoje presencias.
Pensem mais adiante, nos filhos dos filhos e assim por mais mil anos, de que
forma essa história será contada?
Pensem
e reflitam!
Estarei
ausente por dois dias, vos aguardo no descampado e subitamente desaparece.
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