segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Ponto de vista " Vida! Uma Viagem Pelos Mundos"

Ponto de Vista



Velma abaixou a cabeça, refletiu sobre aquelas palavras e disse-lhe:
- Você pode estar certo, mais isto vai completamente contra tudo que me ensinaram e tudo em que sempre acreditei. E minha fé? – Achas que podemos viver distantes da crença em Pory, nosso Deus?
Percebendo que as palavras de Gabriel estariam acima da compreensão de Velma, Isabele se interpõe:
- Não é nossa intenção vos confundir e por este motivo estamos relutantes em vos auxiliar em causas mais significativas, como a cura de certas doenças. Melhor deixar tudo como está e o o curso da história ser o responsável por vosso crescimento.
Por hora, não havia mais o que ser dito e dessa forma se recolheram, sem palavra alguma ser pronunciada.
Tão logo entraram em seu quarto, Isabele comenta com Gabriel que se diz arrependida de ter levantado tais questionamentos, pois sentiu que havia tocado num ponto extremamente delicado, que de algum modo magoou seus amigos.
- Eles precisam refletir!
- E nós não devemos nos meter. Acho que é chegada a hora de partirmos.
- Se assim o fizermos, nossa proposta teria sido em vão. Além de não termos nenhuma garantia de que possam falar sobre quem éramos e serem mal interpretados pelos outros. – Não, não podemos partir Isabele. Não agora.
No dia seguinte, em suas reuniões matutinas, agiram como se aquela conversa da noite anterior não tivesse acontecido. Fraternais e bem dispostos, os irmãos se apressavam para mais uma jornada. Velma a princípio passaria no jornal e depois na casa da moeda, enquanto Alex resolveu tirar a manhã de folga, deixando para passar no teatro lá pelo fim da tarde.
Tão logo Velma se despediu, Alex convidou seus amigos para um banho de mar e desfrutar um pouco das águas cristalinas de Yron. O casal aceitou o convite e logo se colocaram em marcha dirigindo-se ao destino. Ao chegarem à praia, sentaram-se na areia e ficaram por algum tempo contemplando aquele belo horizonte, mas não tardou e todos correram para água, cada um mergulhando a sua maneira, se iniciando uma pequena batalha onde as armas eram água e areia até ficarem exaustos e voltarem para a beirada.
Alguns minutos se passaram entre contemplação e pensamentos, até que Alex pergunta:
- O que eu posso saber?
- Até onde vai sua vontade e o que esperas de nós?
Alex sabia que estava pisando em terreno acidentado, mas diferentemente de sua irmã, possuía a mente mais aberta e sem pestanejar respondeu a Isabele:
- Anseio por conhecimento e como tive a sorte de conhecê-los, espero muito de vocês.
Isabele pegou um pequeno pedaço de madeira que estava ao seu lado e começou a escrever na areia:
Paciência
Critério
Compreensão
O primeiro passo é a paciência. Entender que nada se dá repentinamente ou a revelia. Em tudo existe um plano, uma correspondência.
Não nos foi dada a sapiência integral, apenas a interação para fazer parte daquilo que vivemos de acordo com o estágio em que nos encontramos. Estes estágios são muito diversos e obviamente não cabem em uma única existência, portanto o retorno à vida em seu planeta de origem acontece sucessivamente de acordo com o aprendizado adquirido e as experiências acumuladas. Para não haver interferência e confusão entre uma existência e outra, a cada vida interpretamos como se fosse a primeira e tudo se dá como novo até que todos os estágios se completem. Ao fim deste primeiro ciclo, estamos aptos a frequentar o segundo, agora chamado de nível Dois, mas vivido em outro planeta de similaridade ao primeiro com nuances diferentes, próprias aos seres daqueles estágios para melhor procedimento as suas novas incumbências.
Isabele fez uma pequena pausa propositadamente esperando por perguntas de Alex, que percebendo esta brecha indagou:
- Quantas vidas são necessárias para cada estágio e quantos estágios para terminar um ciclo?
- Quantas forem necessárias para cada estágio, assim como para o fechamento de cada ciclo.
- Então, voltarei para Yron, vivendo várias vidas diferentes aqui neste primeiro ciclo?
Sim, voltarás à Yron por diversas vezes, entretanto, eu não lhe disse que aqui é o primeiro ciclo!
Então, este é o segundo? – Em que ciclo vocês estão?
- Sim, este é o segundo, mas já passou por período em que recebeu seres do primeiro. Assim como estamos no terceiro, porém já recebemos seres do segundo e pregressamente do primeiro.
- E como vocês sabem exatamente esta divisão de “níveis”, ou seja, como sabem que são do terceiro, eu do segundo e quem eram os do primeiro?
- Descobrimos que somos do terceiro, quando chegamos a Yron e lhes encontramos vivendo fases que nossos ancestrais já viveram na Terra, assim como temos ciência de como viviam os ancestrais de nossos ancestrais. Portanto, seus ancestrais eram os primeiros. Concluímos então, que isto se dá em vários planetas similares aos nossos e que são relativamente próprios aos nossos ciclos evolutivos, não nos cabendo ciência dos ciclos imediatamente superiores.
O segundo é o critério, que sem estudo e disciplina não pode ser alcançado.
De acordo com o acúmulo dessas vivencias, a cada vida refinamos e administramos melhor nossos critérios. Percebemos que os estudos nos conduzem a disciplina e que desta forma atingimos mais rapidamente nossos objetivos tanto pessoais como coletivos. À medida que os homens avançam, os critérios são alocados não só moralmente, como cientificamente e se coadunam com as respostas procuradas, mas dependem da comunhão e integração dessa coletividade. Isto se dá muito lentamente por acontecer exatamente no segundo ciclo, estágio em que Yron se encontra agora. Um estágio basicamente religioso, onde tudo se concentra numa vontade superior, que por falta de conhecimentos, se consagra divino e maravilhoso, fazendo com que as pessoas entreguem o sequenciar de suas vidas aos desígnios de divindades, muitas vezes criadas por elas mesmas.
- Quer dizer que nós mesmos somos criadores de Deuses imaginários?
- O desconhecimento da nossa própria natureza muitas vezes nos leva a crer que somos fruto de uma criação mágica, porém tudo se deve a um plano elaborado muito além da compreensão e capacidade que nos foi dada, que talvez só consigamos entender quando estivermos em níveis bem acima do que agora nos encontramos.
Por fim a compreensão, que só acontece precedida das duas primeiras.
Ao compreendermos pelo menos uma parte da magnitude do tempo e espaço, começamos a intuir de forma mais abrangente a relação de nossas existências nesse espaço temporal. Orgulho, egoísmo e sentimentos como preguiça e desânimo, medos e receios deixam de nos acompanhar, nos tornando mais ativos e capazes, onde a entrega e aceitação desta compreensão, passam a ser integrantes de nossas existências.
- Como podemos compreender a magnitude do espaço temporal?
-Algumas gerações aqui em Yron ainda passarão, para que esta compreensão se dê como forma iniciativa no planeta e outras tantas para que estudos complementares atinjam alguns objetivos, mas a compreensão total deve pertencer apenas aos níveis próximos dos mais elevados.
Faça a si mesmo perguntas que sugiram medidas e distâncias então, podereis verificar o quão distantes estais de respostas conclusivas.
Em tudo há seu próprio tempo.

Com fome, resolveram voltar para casa e fazer um lanche. No caminho de volta, Alex agradeceu a Isabele pelas explicações e rindo, lhe pediu “paciência” para com ele e sua total ignorância diante a conversa que tiveram.

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