A
segunda aparição
Com base no que testemunharam,
os terráqueos oferecem aos yronianos um espetáculo não menos surpreendente que
na sua primeira aparição ao anoitecer daquele mesmo dia:
Por intermédio de “Magno”, é
produzida uma sinfonia em som quadra estéreo, nunca dantes ouvida por aquele
povo, com riquíssima melodia, tão apurada em seus mínimos detalhes, que lhes
soava como sons celestiais.
Ao final da canção, a aparição
do casal é realizada com feixes de luzes iridescentes em meio à névoa
artificial lançada propositadamente, que ao se dissipar, vagarosamente mostravam
a silhueta dos terráqueos.
Foi como se tivesse sido a
primeira vez, causando arrepios e convulsão entre os yronianos. Tão logo o
silêncio é restabelecido e os ânimos acalmados, a voz de Isabele é ouvida aos
quatro cantos por ser utilizado o mesmo instrumento produzido pela melodia:
- Meu nome é Isabele.
- E o meu, Gabriel.
- Somos terráqueos e vivemos no
século XXVII.
- Uma diferença de
aproximadamente 867 anos a frente deste tempo.
- Podem avaliar esta diferença
de tempo numa pequena escala da evolução? – Sabemos que não e por isso,
voltamos a enfatizar que não somos Deuses e nem tão pouco enviados por Pory ou
qualquer outro Deus.
Estamos aqui para vos auxiliar,
sem nada pedir em troca, por nossa livre e espontânea vontade.
Não pedimos que abdiquem de
Pory e compartilhem nosso Deus, lhes mostramos apenas uma nova forma de pensar
e agir, onde os maiores beneficiados serão seus filhos, os filhos de Yron.
Se não o quiserdes, estamos prontos
para partir e não mais retornaremos a Yron.
O que vocês querem?
- Fiquem, queremos que fiquem!
- Fiquem!
- Fiquem!
A resposta não poderia ser
outra e Isabele prossegue:
- O que tens presenciado e a
admiração a que chamais de “espetáculo”, quando de nossas aparições, em nosso Planeta
é difundido como “tecnologia” e não representa praticamente nada daquilo
podemos fazer.
Para vós, tudo é interpretado
como divino, um equívoco justificado pelo desconhecimento e incompreensão dos
fatos.
Há cerca de 900 anos, também
estávamos em patamares parelhos ao que hoje vivenciais em Yron, onde tudo era
divino e não raros interpretados e justificados por fontes religiosas. Nossos
horizontes não ultrapassavam aos pálidos reflexos de uma constituição humana
centralizada no poder divino, onde a sorte dos acontecimentos era atribuída aos
Deuses.
De uma forma ou de outra, a
evolução é constante e não cabe em si. Alguns gênios se entrelaçaram em períodos
distintos unindo religiosidade e ciência, determinantes ao nosso crescimento.
Estes gênios não eram divindades ou seres sobrenaturais, mas estudiosos que em
muito contribuíram, para que chegássemos aos patamares onde hoje nos
encontramos.
É um processo vagaroso e requer
persistência e dedicação.
Atos conclusivos, não acontecem
da noite para o dia, por isso os filhos e os filhos dos filhos de Yron serão os
beneficiados.
A partir do momento que
compreenderem que vosso Criador já fez sua parte tendo vos criado e que seus
desígnios são imutáveis, não interferindo, beneficiando ou castigando a quem
quer que seja deixando o livre arbítrio direcionar vossa caminhada na senda a
que foram incumbidos.
Diferentemente da noite
anterior, a plateia ouvia em silêncio as palavras de Isabele, sem questionar ou
interrompe-la com perguntas, parecendo assimilar aquelas palavras, como se
ouvissem música, hipnotizados por ela.
E mais uma vez, Isabele
prossegue:
Na Terra, nossos estágios
evolutivos foram divididos por Eras Astrológicas, sendo levados em consideração
os períodos que atravessamos de acordo com a posição dos astros celestes.
Neste momento, Gabriel expõe a
grande roda astrológica com os signos do Zodíaco e Isabele fala sobre a Era de
Peixes.
Esta é uma Era fundamental para
Yron, assim como foi para nosso Planeta por várias gerações. Hoje, Yron vive
essa mesma Era que se compreende num estágio evolutivo relacionado ao
aprimoramento religioso, ao conceito de moralidade e fé atribuído a um Deus,
neste caso a Pory, vosso Deus.
Durante este período, os povos
vivem alienados e presos a condições divinas e religiosas, por assim entender
que o inexplicável é sobrenatural. Desta forma, os povos atribuem toda a sorte
dos acontecimentos a uma vontade superior, sejam elas boas ou ruins, porém,
também está condicionada a fé, que nutre o intercâmbio entre divindades e os
homens.
Mesmo sem provas ou embasamento
científico, milagres acontecem e pedidos são atendidos, fazendo-se crer reais,
estimulando a fé interior de cada um, com a convicção de proteção e merecimento.
Por outro lado, o amor e a compaixão,
também são difundidos e esta é uma razão nobre entre os povos, onde o respeito
mútuo e a moral culminam com o entendimento, que é a base inicial para o
desenvolvimento da tecnologia.
Uma seta desloca-se da Era de
Peixes e passa para Aquário.
Aquário, é a Era da tecnologia,
Era vivida atualmente em nosso Planeta, a Terra.
A mudança da Era de Peixes para
a de Aquário, não aconteceu de um momento para outro, como visto na passagem da
seta, na verdade o período de uma Era é de aproximadamente 2300 anos terrestre,
o equivalente a 766 anos de Yron. A transição, também é morosa e precisamos de
mais 400 anos para perceber a verdadeira mudança. Nesta escala, Yron precisará
de aproximadamente 255 anos. Somente constatamos que havíamos saído da Era de
Peixes para Aquário quando realmente conquistamos avanços tecnológicos
significativos que nos conduziram a descobertas que nos possibilitaram
desvendar mistérios considerados como divinatórios por várias gerações.
Não podemos mudar estes ciclos,
porque obedecem a uma lei natural, mas vos adiantar para que as gerações
futuras tenham melhor compreensão minimizando ao menos o período de transição,
que certamente é eminente.
Depois do silêncio, uma
pergunta:
- Como podemos acreditar que
não seja uma Deusa, uma enviada de Pory?
- Estou tão distante dos
Deuses, que assim como todos vocês, não posso nem ao menos intuir ou decifrar
seus mistérios. Mas posso garantir que nossos Deuses não interferem de forma
alguma em nossas vontades. A prova disto é que se Pory não está interferindo em
nossas aparições, das duas uma: Ou está satisfeito com o que temos realizado ou
verdadeiramente não pode ir contra suas próprias leis.
Nós somos os juízes dos nossos
atos e atitudes, portanto nos cabe apenas o discernimento das nossas ações.
Por hoje e só povo de Yron.
Retornem as suas casas e reflitam, estaremos ausentes por alguns dias, mas em
breve voltaremos a nos comunicar e simplesmente desaparecem.


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