Uma revolução está a caminho
Os Sois
já estavam bem baixos, quando aquele tom de rosa das nuvens começou a ser
invadido pela vermelhidão da noite que se aproximava, tornando o final do dia
num glamoroso anoitecer, acompanhado das duas Luas que surgiam por detrás das
montanhas.
Isabele
já havia presenciado tal espetáculo, mas não se dera conta do quão era
fantástico e incrível. Sendo envolvida pelos braços do seu amor e tomada pela
paixão entregou-se a um longo beijo.
Os dias
se passavam e entre novos aprendizados e vários questionamentos, tanto os
terráqueos quanto os yronianos discutiam de forma plena e basicamente sobre as
diferenças estabelecidas em ambos os planetas. Os irmãos abordavam sobre
religião, Isabele sobre os avanços tecnológicos enquanto Gabriel se aprofundava
na comunicação.
Gabriel
já havia se familiarizado com aquele dialeto e vez por outra arriscava algumas
palavras, até que em meio a uma dessas conversas pronunciou corretamente sua
primeira frase em yroniano: Podemos tentar conversar mais uma vez
telepaticamente? – Todos se concentraram e Gabriel pode ouvir em seus
pensamentos com bastante clareza as vozes dos outros. Velma saiu na frente e
respondeu sua pergunta propondo um brinde, seguido por Alex que abriu a porta
de um armário e pegou uma bebida e por último Isabele, que se levantou e o
abraçou parabenizando-o.
- A
propósito, indagou Gabriel: Alguém já escalou as montanhas?
- Os
que tentaram, nunca voltaram, respondeu Alex. Acreditamos que lá seja a morada
de Porí, que não quer ser incomodado.
- Com
todo respeito à Porí, eu e Isabele estamos pensando em ir lá.
-
Deuses não se incomodam com outros Deuses, mas de qualquer forma vocês devem
tomar algumas precauções.
- Não
somos Deuses, só estamos há alguns degraus acima na escala da evolução.
- Mas o
que realmente significa esta evolução?
- Sim,
completou Velma, como conseguiram?
Gabriel
olhou para Isabele como se estivesse pedindo consentimento para falar e obtendo
um sinal afirmativo, replicou:
De
acordo com nossa própria história, passamos por diversas fases até atingir o
grau em que hoje nos encontramos. O fato de estarmos aqui, também é um novo
marco e certamente entraremos para história, como desbravadores de novos
planetas, neste caso, Yron.
Velma
se interpõe, e pergunta:
- Em
relação a este estado evolutivo, onde nos situamos e como vocês dividem essas
fases?
-
Isabele toma a palavra, e lhe diz: Entre os séculos XVI e XIX e nós estamos no
século XXVII. Nossas “fases” são classificadas de “Eras”: geológicas e
astrológicas. A primeira diz respeito ao tempo e a formação do planeta, já a segunda
relacionada com os astros e suas transições.
- Mas o
que realmente nos separa e ainda nos confundem?
- O
tempo e o conhecimento. Yron se adiantou religiosamente, porém ainda não se
permite tecnologicamente em desbravar o futuro.
- No
que consiste basicamente esta tecnologia?
- Luz!
- Mas
já temos lamparinas.
- Me
refiro a “energia, informação e expansão”.
Os
irmãos não compreenderam o que Isabele tentou lhes mostrar e ficaram
momentaneamente no vácuo daquelas expressões. Assim, aquela conversa se deu por
hora terminada e Gabriel e Isabele saíram para assistir a mais um final de dia
daquele exuberante planeta.
Ao
saírem em direção ao descampado, Gabriel foi o primeiro a se pronunciar:
- Eles
ainda não estão preparados para estas informações.
- Sinto
que devemos lhes auxiliar, mas não sei bem como começar, você tem alguma ideia
Gabriel?
- Não
podemos nos expor e o mais sensato seria lhes transmitir as informações
necessárias, para o começo dessa revolução.
- O que você acha de implantarmos uma moeda e
logo a seguir a eletricidade?
- Acho que é por aí, Isabele. Depois virão os
jornais e os transportes.
- Então
aqui será nossa nova morada para sempre?
-
Talvez, eu não sei, mas se não tomarmos essas providências, a estagnação de
Yron é iminente.
- Vamos
elaborar um plano para Yron, mas agora só quero curtir esse momento, depois
pensaremos nisto.
-
Concordo e é por isso e por outras coisas que te amo tanto.


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